Empresários preparam um Fundo de Coesão

A Confederação Empresarial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP) está a preparar a criação de um fundo de coesão para reduzir as assimetrias entre as suas economias, informou fonte oficial da instituição.

Estamos a preparar a criação de um fundo de coesão social para harmonizar e tirar proveito das economias dos países membros, para sermos mesmo uma comunidade e não só no papel”, disse o consultor estratégico do presidente da CE-CPLP, Fernando Lobato.

Citado pela imprensa portuguesa a propósito da primeira edição dos Encontros Empresariais, que se realiza em Lisboa a 26 deste mês, Fernando Lobato delineou o plano de actividades da instituição para os próximos anos e sublinhou que, no que diz respeito ao fundo de coesão, o objectivo é “desenvolver harmoniosamente os países membros, que estão em diferentes estados de desenvolvimento, por isso há que reduzir assimetrias entre as economias destes países, e um fundo pode minimizar essas assimetrias e criar mais solidariedade na comunidade”.

Os países mais avançados, disse, “podem avançar institucionalmente e com reforço de capacidade e competências para melhorar a competitividade dos mais atrasados”, para depois, numa segunda fase, “haver mesmo um fundo de financiamento para atacar os problemas estratégicos”, permitindo mais facilidade no acesso ao financiamento, “através da criação de um banco de investimentos ou de desenvolvimento, à semelhança do que acontece com os BRIC”, que recentemente criaram um banco para financiar actividades nestes países.

Para além do fundo de coesão social da comunidade, as medidas que vão ser apresentadas para aprovação dos países membros na assembleia-geral da CE-CPLP, no dia 17, em Cabo Verde, passam também pela aprovação de iniciativas destinadas a dar mais visibilidade à instituição que reúne os interesses dos empresários lusófonos.

Está prevista a aplicação de uma plataforma económica e empresarial com indicadores harmonizados de todos os países lusófonos, para serem usados em estudos de viabilidade económica. Desta forma é fomentado o investimento das empresas. Também vai ser proposta a criação de um centro de arbitragem de conflitos e a certificação dos produtos.

A certificação dá valor acrescido aos produtos dos países. O pescado da Guiné, o marisco de Moçambique, o azeite e cortiça de Portugal, são exemplos de produtos que podiam ser certificados pela CPLP”, diz Fernando Lobato.

O objectivo geral das actividades que estão a ser preparadas pela confederação, liderada pelo moçambicano Salimo Abdula, é “utilizar o sector privado como motor para que as autoridades de todos os países se sintam implicadas neste projecto ambicioso economicamente e que tem muitas vantagens para todos”, disse Fernando Lobato.

A ideia destes encontros, que decorrem em Lisboa no final do mês, “é auscultar o que os empresários querem e dar-lhes um espaço onde possam exprimir as dificuldades que encontram no seu dia-a-dia quando tentam exportar, encontrar financiamento, para que nós possamos lutar em parceria com eles e facilitar as exportações e a valorização dos seus produtos”.

Economia pujante

A economia dos oito países que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) representa a sexta economia do mundo, com Produto Interno Bruto (PIB) de 2,47 triliões de dólares (247 triliões de kwanzas). O Brasil, que tem o maior território e a maior população, é responsável pela maior parte da riqueza gerada entre os países lusófonos: 86 por cento.

O PIB conjunto de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste teve uma média de crescimento anual entre 2003 e 2010 de 3,8 por cento. A taxa foi puxada por Timor Leste (17,2 por cento) e por Angola (13,3 por cento). As taxas de Guiné-Bissau (3,1 por cento) e de Portugal (0,7 por cento) foram as mais baixas.

O crescimento do Brasil no período ficou ligeiramente acima da média (4,4 por cento). Em compensação, os brasileiros tiveram o melhor ganho em valores absolutos na distribuição do PIB per capita: 7.442 por pessoa (alta de 202 por cento entre 2004 e 2010). Em termos percentuais, apenas Angola e Timor-Leste tiveram incremento do Produto Interno Bruto per capita acima do registado no Brasil, com alta de 292 e 223 por cento.

Em 2010, o PIB per capita português era de mais de 21,5 mil dólares por pessoa, representando o dobro do Brasil (11 mil por pessoa), o segundo classificado na comunidade.

População jovem

O Brasil também é o mais próximo de Portugal nos itens que avaliaram a fecundidade das mulheres e o envelhecimento da população. À época do recenseamento, apenas 15,1 por cento dos portugueses tinham 14 anos ou menos, enquanto no Brasil as crianças e adolescentes nessa faixa etária representavam 24,1 por cento.

Em oposição, a faixa etária mais jovem representava, em 2010, 47,4 por cento da população angolana e 45,4 por cento da moçambicana”. Conforme os dados, o Brasil é o país com maior percentual de população em idade economicamente activa (15 a 64 anos), 68,5 por cento. Portugal é o país com mais idosos (65 anos ou mais) proporcionalmente: 18,2 por cento.

Os indicadores sociais consolidados ainda ilustram grandes diferenças existentes entre os países lusófonos, como no caso da expectativa de vida. Em 2010, a expectativa de vida nos oito países da CPLP apresentou o valor mais baixo na Guiné-Bissau (46,8 anos). Angola deu um grande salto de 48,4 anos para 52 anos). Moçambique (52,1 anos), Timor-Leste (64,2 anos), São Tomé e Príncipe (67,6 anos), Brasil (73,4 anos), Cabo Verde (74,5 anos) e Portugal, 79,2 anos, no conjunto de ambos os sexos.

Jornal de Angola, 13 de Novembro de 2014

 

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